Virou uma putaria generalizada a área de desenvolvimento de software. Não sei o que é pior, a era de super desenvolvedores de bootcamp em meio à pandemia ou a era de super desenvolvedores movidos a agentes de codificação.

Desde o começo eu fui contra o vibe-coding. Sempre achei uma estupidez sentar o rabo na cadeira e escrever um monte de “especificações” zero técnicas para um robô que cospe milhares de linhas de código por segundo e você só aceita porque “funcionou como eu pedi”. Vai se foder, você nem entende o porquê essa porra está implementada assim.

Vocês acham um saco a faculdade por ter matérias “desnecessárias” como redes, sistemas operacionais, engenharia de software, etc. porque “eu não preciso aprender mais isso, o Claude já foi treinado para fazer isso”. Seu estúpido, você nem sabe como sua ferramenta funciona e quer dar pitaco.

Outra questão é essa. Idiotas veem agentes de codificação como mágica porque nem entendem minimamente a arquitetura por trás. Na verdade não entendem arquitetura de porra nenhuma, nem da web, nem de um sistema operacional, nem de uma aplicação. Tudo vai parecer mágica até tudo estourar na sua mão e nem você nem seu “assistente” conseguir resolver, porque não se aprendeu o suficiente em lugar nenhum.

Sinceramente hoje as pessoas entram na área sem saber absolutamente nada, não têm a vontade e ânsia de aprender, afinal o Claude faz tudo. No fim do dia o que importa são os meses contados no LinkedIn e o dinheiro que enche o bolso no final do mês. Mas eu tenho uma péssima notícia para você que acha que vai se manter por muito tempo na área cuspindo prompt para um agente. Você não vai.

Parece tolice se preocupar tanto com a área na qual eu atuo, afinal, hoje em dia quem trabalha por amor? Pela vontade de fazer algo? Por fazer diferença em algo? Ninguém.

Eu amava o que eu fazia desde que ingressei na área — em 2023 — hoje em dia eu nem tenho mais vontade de programar qualquer merda por hobby. “Trabalhe com o que ama e nunca vai amar mais nada na vida.”. Essa frase define muito bem o que eu sinto atualmente. Eu gosto sim ainda de resolver problemas, entender o que está por trás dos projetos nos quais eu trabalho, mas isso cansa quando sei que outras pessoas não sabem.

Eu não tenho uma empresa, nunca tive, mas eu sei muito bem que alocar mais “IA” — porque sinceramente nem dá para categorizar como desenvolvedores — em um projeto e cuspir feature atrás de feature não vai tornar seu produto melhor, pelo contrário, seu software vai estar degradado e cheio de buracos de segurança. Esse é o futuro de softwares empresariais que veem LLMs como “a solução mágica para vender mais”.

Desse jeito, os juniores de hoje nunca serão os seniores de amanhã. Disso não há dúvidas. Eu não consigo entender como decisões são tomadas pensando primeiramente no impacto do agora e não no impacto futuro. Como se aloca um junior para produzir logo no dia 0, sendo que ele nem sequer entende a diferença de uma aplicação rodando no servidor para a que roda localmente na sua própria máquina.

Na real eu já perdi todo o tesão em toda essa merda que nossa área está virando. Não quero mais programar, não há mais a quem ensinar, não haverá mais quem aprenda.

A regra é clara, quem tem mais experiência ensina os mais novos, e os mais novos têm que saber que existem pessoas a quem possam perguntar, e não um robô qualquer. Já cansei de falar que robô não sabe como o sistema interno funciona, não entende regra de negócio, não entende por que certas decisões foram tomadas e por que a arquitetura de código foi implementada de tal maneira. Robô não sabe de porra nenhuma!